JESUS, A PROSTITUTA E O RELIGIOSO (2ª PARTE)

JESUS, A PROSTITUTA E O RELIGIOSO                 (2ª PARTE)



O AMOR BROTA DO PERDÃO

Lucas 7.39-47

Jesus estava jantando na casa de um religioso, um fariseu, chamado Simão. Além dos convidados, muita gente da cidade assistia àquele jantar porque Jesus era um personagem famoso. No meio do jantar, uma mulher prostituta, bem conhecida na cidade, vem trazendo um perfume caríssimo num frasco também
caro. Achega-se aos pés de Jesus, chora copiosamente e, com suas lágrimas lava os seus pés e enxuga-os com seus cabelos. Beija-lhe os pés e derrama o seu perfume neles, honrando Jesus e enchendo aquela casa de um doce perfume. Todos, naquela sala, estão “eletrizados” com o que acontece e aguardam com expectativa o desfecho desta história.

Lucas continua a nos contar a história em Lucas 7.39-47. O religioso fariseu Simão, ao observar esta cena, pensou consigo: “se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: "uma pecadora" (v. 39). O fariseu faz um juízo de valor acerca de Jesus: ele não é profeta. A certeza dele provinha do fato de que Jesus era incapaz de identificar que a mulher que lhe tocava era uma prostituta. O fariseu Simão calculava que, se Jesus soubesse disto, ia mandar aquela mulher embora imediatamente e ia lhe dar uma bronca tão grande por ela, sendo uma pecadora, ter-lhe tocado. Simão nutre, internamente, um desprezo por Jesus maior ainda. Jesus, então, diz a Simão que tem uma pergunta a lhe fazer (v. 40). Por obrigação de anfitrião, ele pede que diga a pergunta. Jesus é maravilhoso: ele primeiramente vai tentar consertar a vida daquele religioso que gostava de seguir regras e se achava santo. Depois, ele vai cuidar daquela mulher. A pergunta para Simão era uma maneira de ensinar todos que estavam na casa. Aí Jesus vem com uma história (v. 41): dois homens deviam a um credor.

O primeiro devedor ganhava salário mínimo (hoje R$ 724,00) e devia R$ 12.000,00 e o segundo que também ganhava salário mínimo devia R$ 1.200,00. Lembremo-nos que, na época de Jesus não havia empréstimos bancários e um homem podia até ser vendido como escravo ou vender seus filhos para pagar suas dívidas. Eles não tinham como pagar e estavam numa situação aflitiva. O credor, sabendo que não iriam conseguir pagar-lhe, resolveu dar um presente a ambos: o perdão de suas respectivas dívidas (v. 42). A pergunta de Jesus a Simão é: “qual deles o amará mais?”. Com desdém, Simão responde: “suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior” (v. 43). Veja o que ele diz: “suponho”. Jesus não se dá por vencido e diz a ele: “você julgou bem”. Agora, o Mestre começa a comparar as atitudes do religioso Simão com a da prostituta arrependida (v. 44-46). Jesus volta-se para a mulher, olha para ela mas continua a conversar com Simão. 

Jesus faz três comparações entre a mulher e Simão. A primeira é que ele chegou à casa e Simão não mandou um escravo lavar os seus pés. Isto indicava, na época, uma falta grave de hospitalidade. A mulher lavou o seus pés com lágrimas e enxugou-os com seus cabelos. Fez isto com sentimento, algo do íntimo de seu ser. Segunda comparação: quando chegou, Simão não o beijou no rosto, que era uma saudação de apreço. A mulher não parou de beijar afetuosamente os seus pés, o que indicava profunda reverência e honra. Terceira comparação: quando chegou, Simão não ungiu a cabeça do seu hóspede com óleo que era um procedimento para pessoas importantes. A mulher ungiu os pés de Jesus com um perfume caríssimo. Conclusão: Simão não teve nem mesmo o respeito social por Jesus. Ou seja, Simão achava que ele não devia absolutamente nada por Jesus. Nunca poderia amá-lo.

A mulher se quebrantou perante Jesus por causa da mudança que Jesus graciosamente fez nela. Ela era a devedora de R$ 12.000,00 que nunca poderia pagar, mas foi perdoada. Jesus conclui sua conversa com Simão dizendo: “portanto, eu lhe digo: os muitos pecados dela lhe foram perdoados; pois ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama” (v. 47). Os pecados dela, que eram muitos, foram perdoados por Jesus porque ela se arrependeu. Deste perdão, brotou um grande amor porque quanto maior o perdão da dívida, maior amor. Quem não se vê tão pecador, quando é perdoado, pouco ama. Mas há pessoas, como o religioso Simão, que nem se veem como pecadores. A sua religiosidade esconde-os de si mesmos. Vivemos num país em que as pessoas são muito religiosas. A grande maioria das religiões tenta passar para a pessoa uma autoimagem na qual ela é vista como pessoa boa que faz atos bons. Isto leva à ilusão de que a pessoa, apesar de seus poucos e pequenos erros, faz jus à salvação, a ir para o céu.

O que Jesus nos ensina aqui é que religiosidade (personificado em Simão) pode levar uma pessoa para muito longe de Deus, pois faz dela uma pessoa autossuficiente para sua própria salvação. O que Jesus deseja é que sejamos como a mulher prostituta que se viu cheia de pecados e incapaz de salvar-se. Por isso, ela recorreu a Jesus para conseguir, não capacidade para ser boa, mas sim perdão dos seus pecados. Toda vez que alguém chega sem nada de seu para oferecer perante Jesus, ele vai perdoá-la por conta do seu sacrifício na cruz. Não somos nós que somos bons, mas Jesus que é amoroso, gracioso e perdoador. Só Jesus Cristo salva.


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